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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Santiago do cacém - Onda assassina mata três amigos e Outras noticias de afogamento

Santiago do Cacém: Duas mulheres e um homem morrem afogados
Onda assassina mata três amigos


Um segundo bastou para dois casais serem traídos pela força do mar, na praia da Fonte do Cortiço, em Vila Nova de Santo André, Santiago do Cacém, cerca das 11h00 de ontem.

Apenas um dos homens escapou com vida à violência das ondas, que arrastaram para a morte Catarina António, de 61 anos, Maria Gertrudes Moreno, de 63, e Francisco Moreno, de 64. As vítimas eram amigos de longa data, todas residentes na Brandoa, concelho da Amadora, e passavam férias com frequência na região.

De acordo com o comandante da Polícia Marítima de Sines, Félix Marques, as duas vítimas do sexo feminino “aproximaram-se da rebentação apenas para molhar os pés quando ambas foram surpreendidas por uma onda que as arrastou”. Terão sido os maridos, que se encontravam a pescar, que ao perceberem a aflição das companheiras tentaram socorrê-las. Mas a força da maré acabaria por atrair para a morte três dos sexagenários.

Apenas Francisco António (64 anos), marido de Catarina António, conseguiu sair da zona de rebentação. Terá sido a mulher que ao vê-lo “exausto e sem qualquer hipótese de a salvar” a empurrá-lo para o areal (ver pág. 8). O homem conseguiu pedir ajuda a um casal que chegava à praia, por estes dias completamente deserta.

“O casal viu uma pessoa em pânico no meio do areal a acenar e a pedir socorro. Contactaram as autoridades”, explica Félix Marques.

“Quando chegámos ao local vimos os três corpos já a boiar fora da rebentação e o homem que sobreviveu em estado de choque”, disse ao CM Alberto Trigo, comandante dos Bombeiros de Vila Nova de Santo André. “Quando ouvi pelo rádio, segui logo para a praia, mas nunca pensei que fosse encontrar três pessoas afogadas”, lamentou.

O resgate acabou por ser rápido já que nenhum dos corpos se afundou. “As mulheres já estavam bastante afastadas. Foi mais complicado...”, explicou Alberto Trigo. Os corpos recolheram à morgue do Hospital do Litoral Alentejano, em Santiago do Cacém.

'ESTOU NO MEIO DE UM PESADELO E SEM PALAVRAS'

'Estou no meio de um pesadelo e sem palavras', foi assim que o filho de Catarina e Francisco António resumiu ao CM a dor vivida após a trágica notícia. Ao longo da tarde de ontem, aos poucos, foram chegando ao Hospital de Santiago do Cacém os familiares das vítimas, todos apanhados de surpresa e num turbilhão de emoções.

'Eles chegaram ontem mas nem falámos. Não sei como se deu esta tragédia e estou à espera para saber da saúde do meu cunhado [o único sobrevivente]', disse uma familiar.

'O meu tio está em estado de choque . Não diz nada', contou ao CM Hugo Alexandre, sobrinho do único sobrevivente. Este garante que o tio conhece bem a praia onde tudo aconteceu: 'Vinham muitas vezes para pescar. Só pode ter sido a força do mar que os matou.'

PORMENORES

PRAIA SEM VIGILÂNCIA

A praia da tragédia ficou sem vigilância a 13 de Setembro, com o fim da época balnear. Mesmo vigiada, é considerada perigosa devido ao declive acentuado junto à zona de rebentação das ondas.

SOBREVIVENTE

Francisco António, o único sobrevivente, ficou em estado de choque e com fortes dores na coluna. Segundo fonte hospitalar, encontra-se estável, embora careça de alguns cuidados por ser cardíaco.

AUTÓPSIAS

Ao que o CM apurou, as autópsias só serão efectuadas entre hoje e segunda-feira, não estando ainda prevista a data para os funerais.

"A MULHER SALVOU-O COM UM EMPURRÃO"

Conceição é proprietária de um pequeno café na rua da Paiã, na Brandoa, Amadora, onde ontem à tarde todos tinham uma história para contar sobre os dois casais envolvidos na tragédia da praia da Fonte do Cortiço, em Vila Nova de Santo André. A mais impressionante tinha como protagonista Francisco António. O ex-polícia, de 64 anos, foi o único sobrevivente da "desgraça" e para isso contribuiu a sua esposa. "A mulher salvou-o com um empurrão", assegurou a comerciante, relatando o que ouviu da boca do filho das vítimas.

Catarina António, 61 anos, não conseguiu salvar-se. A forte onda que tragou os dois casais levou-a para a morte. "Assim que se viram aflitos, a dona Catarina só teve tempo para empregar toda a força e empurrar o marido para a beira de água. Foi o filho deles que nos contou", reforçou Conceição.

Tanto o casal António, como Francisco e Gertrudes Moreno (de 63 e 64 anos, ambos falecidos no acidente de ontem), tinham saído da Brandoa menos de 24 horas antes da tragédia. Francisco António, polícia reformado, era inquilino de uma casa em Vila Nova de Santo André, onde ia com a mulher passar férias de Verão.

"Ontem [anteontem], o casal convidou os vizinhos (casal Moreno), para irem fazer uns dias de férias", explicou ao CM uma outra moradora. Os quatro vizinhos, moradores há mais de 30 anos no lote 377 da rua da Paiã, na Brandoa, tinham-se comprometido a regressar amanhã de manhã, ainda a tempo de votar.

O fim trágico desta viagem de férias deixou todos apreensivos. "O senhor [Francisco] Moreno era reformado, mas fazia um part-time numa fábrica de rações em Vila Franca. As duas senhoras que faleceram [Catarina António e Gertrudes Moreno] trabalhavam a dias", acrescentou Conceição. O único sobrevivente de ontem, Francisco António, mantém-se internado no Hospital do Litoral Alentejano, em Santiago do Cacém.

Dos três funerais das vítimas, apenas um se vai realizar na Brandoa: é o de Catarina António. O casal – Francisco e Gertrudes Moreno – será sepultado em Alter do Chão, de onde era natural.

Fonte : CM

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