Ílhavo: Queda de uma vela acesa poderá ter estado na origem da tragédia
"Arrombei a porta e consegui ainda tirar uma senhora lá de dentro. Mas depois vi que já nada podia fazer", conta ao CM Carlos Almeida, 52 anos, a primeira pessoa a chegar ao incêndio que deflagrou às 22h00 de anteontem numa casa, na rua de Cimo de Vila, Ílhavo, e que tirou a vida a Maria de Lurdes Simões, aos 70 anos. O seu companheiro, Fernando Rocha, de 61, tem queimaduras em 95% do corpo – corre sérios riscos de vida.
Na habitação, estava ainda a tia do sexagenário, Deolinda Rocha, de 87 anos, a única sobrevivente, que recebeu assistência por inalação de fumo. "A tia safou-se porque morava no rés-do-chão, foi a sorte dela", desabafa Carlos Almeida.
Contam as testemunhas que a casa foi consumida em segundos: "Nós estávamos na nossa casa e começámos a sentir um cheiro a fumo. Viemos cá fora e vimos a casa da Lurdes em chamas", relata um vizinho, proprietário de uma loja, junto ao incêndio. Do pátio de sua casa, o comerciante viu tudo: "Depois de ter chamado pelos bombeiros, ouvi um barulho de vidros a partirem--se e quando olhei vi o companheiro da Lurdes a saltar da janela do primeiro andar, para cima do telhado".
No interior da casa, Maria de Lurdes Simões não resistia ao avançar das chamas. Fernando Rocha viria a ser transportado para o Hospital de Aveiro com queimaduras em 95% do corpo e várias fracturas. Foi transferido para o Hospital de Coimbra, com um prognóstico reservado.
"AS LESÕES DO FOGO NA VÍTIMA SÃO EXTENSAS"
O quadro clínico de Fernando Rocha era "muito delicado" ontem ao final da tarde, encontrando-se ligado ao suporte básico de vida. Segundo fonte do Hospital da Universidade de Coimbra contactada pelo CM, para onde foi transportado o homem de 61 anos, a vítima tem queimaduras em 95% do corpo, apresentando ainda um traumatismo craniano e um pneumotórax. "As lesões provocadas pelo incêndio são muito significativas: além de extensas, são muito profundas", afirmou fonte da Unidade de Queimados, admitindo que o risco de vida ainda se mantinha. De acordo com o que o CM conseguiu apurar, Fernando Rocha tem os membros inferiores e o braço esquerdo muito queimados. Os ferimentos que apresenta, conjugados com a sua idade, contribuem para um prognóstico reservado.
"NÃO TINHAM LUZ EM CASA"
"Tinha tantas posses e acabou assim, na miséria". Albano Marques giza em traços gerais a vida de Maria de Lurdes Simões, a vítima mortal do incêndio de Ílhavo. Para este amigo, Maria de Lurdes teve um triste fim: "Ela separou-se do marido porque ele bebia. E meteu-se com este, que lhe deu cabo da riqueza toda". Doente, já com problemas nas pernas, Maria de Lurdes vivia com grande dificuldade. "Eles não tinham luz em casa e a comida era a Misericórdia que lhes vinha trazer", conta outra vizinha, que pediu o anonimato. "Os filhos pouco queriam saber", deixa cair Albano Marques, visivelmente transtornado.
PORMENORES
TIA SOBREVIVEU
"A tia safou-se porque morava no rés-do-chão, foi a sorte dela", disse uma vizinha ao ‘CM’, pedindo o anonimato.
GRANDES DIFICULDADES
A família vivia com grandes dificuldades e nem electricidade tinham. A luz terá sido cortada há cerca de três semanas.
SUSPEITA DE VELA ACESA
Sobre as causas do incêndio, as mesmas ainda estão por apurar. Mas os vizinhos garantem que terá sido devido a uma vela acesa: "Como não tinham electricidade, andavam com velas pela casa fora. Deve ter sido disso", afirma outro comerciante.
Para mais informações visite o site CM.

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