Margem Norte do Tejo: Acidente ocorreu na reserva de caça de Constãncia
Na ânsia de acertar em mais uma rola que tinha na mira da caçadeira, António Madeira nem pestanejou. Só que entre o corticeiro de 43 anos e a peça de caça surgiu de repente a cabeça do filho, que se levantara para exibir ao pai a ave que este abatera segundos antes – e o rapaz de 16 anos caiu morto. Este acidente ocorreu pelas 07h00 de ontem, na Reserva Municipal de Caça de Constância, na Margem Norte do Tejo, zona de Montalvo.
Marco António Brás Madeira vivia com os pais no Rossio ao Sul do Tejo, Abrantes, e acordou ao nascer do sol para acompanhar o pai, António, numa jornada de caça às rolas. Um tio também os acompanhava e seguiram para Montalvo, a vinte quilómetros de casa. Pai e filho ocuparam a mesma ‘porta’, junto a um campo com girassóis, onde esperaram as primeiras rolas da manhã.
Pouco depois das 07h00, António Madeira viu aproximar--se uma rola e disparou. A ave caiu redonda no chão, poucos metros à sua frente, e o filho, com receio de a perder no meio dos girassóis, foi logo à procura dela. No instante em que o jovem se levantava para mostrar a rola morta ao pai, foi atingido a tiro na cabeça. António Madeira não se apercebeu que o filho saíra da ‘porta’, pois estava de arma apontada a uma segunda rola e disparou. Um tiro único e fatal, que marcou de forma trágica a jornada de caça. "Aconteceu tudo no mesmo instante: o Marco baixou-se à frente do pai para apanhar a rola e levantou-se quando o pai estava a disparar a uma rola que vinha a seguir à outra que acabara de matar", recorda ao CM João Bernardino, tio de Marco Madeira.
João Bernardino estava noutra ‘porta’, a 500 metros dos familiares, e explica que o tiro atingiu o jovem na cabeça. Foi António Madeira quem deu o alerta para os Bombeiros de Constância e acompanhou os seus esforços e da equipa médica do INEM para o trazer de volta à vida, mas já nada havia a fazer.
PAI CHORA PERDA DE FILHO ÚNICO DEITADO NO CHÃO
A notícia do acidente mortal na Reserva Municipal de Caça de Constância deixou o presidente da câmara, António Mendes, "perturbado e incomodado". Acabado de regressar de férias, o autarca certificou-se de que os pais do jovem estavam a receber todo o apoio de que precisavam naquele momento.
António Madeira e a mulher foram assistidos no Hospital de Abrantes, regressando a casa ao início da tarde. Coube aos bombeiros de Constância prestar o primeiro apoio no local, pois estiveram sempre ao seu lado enquanto a equipa do INEM procedia a manobras de reanimação. O corpo só foi levantado três horas após o acidente e durante esse tempo António Madeira esteve deitado no chão, a chorar e a lamentar a sua sorte. Os bombeiros foram conversando com ele, procurando confortá-lo com as suas palavras.
"UMA JÓIA DE RAPAZ E VICIADO PELA CAÇA"
Marco Madeira era filho único e preparava-se para frequentar o 11º ano na Escola Secundária de Abrantes. "Era uma jóia de rapaz", conta o tio, João Bernardino, adiantando que o sobrinho era "viciado na caça. O filho tinha mais vício do que o pai, era ele que preparava sempre tudo e o desafiava assim que abria a época de caça". Segundo João Bernardino, António Madeira gostava da caça, mas se perdesse um dia ou outro não se importava com isso, só que o filho nunca o largava. Assim que completou os 16 anos, Marco disse ao pai que também queria pegar na arma e por isso preparava-se agora para tirar a carta de caçador.
PORMENORES
ATIRADOR EM LIBERDADE
António Madeira foi identificado pela GNR de Constância, que tomou conta da ocorrência, mas ficou em liberdade.
CAÇADORES OUVIDOS
Os caçadores que assistiram ao acidente foram chamados a prestar declarações na GNR, de acordo com as instruções de um procurador do Ministério Público.
AUTÓPSIA SERÁ HOJE
O corpo de Marco Madeira está na morgue do Hospital de Abrantes, onde hoje será a autópsia, seguindo-se o funeral.
Para mais informações visite o site CM.
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