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sábado, 15 de agosto de 2009

Ocupam casas para extorquir dinheiro - 15 Agosto 2009

Burla: Famílias usam esquema contra empreiteiros de todo o país


O esquema é tão simples como eficaz. Pai e filho apresentam-se, bem vestidos e em bons carros, nos stands de venda de apartamentos acabados de construir. O pai diz que precisa de uma casa para o filho e dispõe-se a pagar desde logo um avultado sinal, de 70 a 80 mil euros, por casas que custam entre 180 e 200 mil. Passado o cheque, convencem o construtor a dar--lhes logo a chave da nova casa.

É aí que começa o descalabro. Um ou dois dias depois, a família convoca outros dez a 15 parentes para irem viver na casa. Nunca chegam a fazer contratos de água nem de luz e esforçam-se por incomodar o mais que podem vizinhos ou eventuais compradores que apareçam para ver os outros apartamentos. Desesperados com a fuga de interessados nas casas, os construtores acabam por concordar em devolver à família o dobro do sinal pago, para garantir que estes se vão embora.

Com algumas variações, este tem sido o método usado por várias famílias de etnia cigana em vários pontos do País. Ontem, a Polícia Judiciária de Lisboa anunciou a detenção de uma mãe e de um filho suspeitos de pelo menos dez burlas na zona da Grande Lisboa. O pai também foi constituído arguido.

Neste caso, os burlões usaram armas de fogo para intimidar os construtores civis a quem ocuparam casas. "Chegaram a apontar uma arma a um deles", revelou ao CM fonte da PJ. Desde 2005 – ano em que se estima que tenham lucrado cerca de 500 mil euros com estas burlas – que a PJ segue esta família. Os três arguidos são suspeitos de dez crimes e suspeita-se do envolvimento de familiares em outros 30 casos. A PJ lançou a ‘Operação Chavascal’, que resultou na apreensão de armas ilegais e muita documentação que prova os crimes.

"Este caso foi aquele em que aprofundámos mais a investigação, mas sabemos que há muitas famílias em vários pontos do País a usar o mesmo método para burlar construtores civis", disse fonte da PJ.

PORMENORES

EM LIBERDADE

Ouvidos ontem em tribunal, a mãe e o filho detidos pela PJ foram postos em liberdade.

INCÓMODO PERMANENTE

Famílias instalam-se nas partes comuns dos prédios. Barulho permanente e dejectos afastam vizinhos e compradores.

Para mais informações visite o site CM.

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