
Proximidade: Trabalha para os azuis-e-brancos há cerca de duas décadas
Afonso Ribeiro trabalha há mais de vinte anos para os azuis-e-brancos. Começou como porteiro da Taberna do Infante, uma casa de alterne portuense, na altura em que a mesma era gerida por Reinaldo Teles, hoje vice-presidente do clube. Foi a partir daí que se estreitou a sua ligação aos dirigentes azuis-e-brancos, acabando por começar a trabalhar no clube pouco depois.
A proximidade a Pinto da Costa foi-se estreitando. Nos últimos anos, Afonso Ribeiro tem acompanhado o presidente em todos os momentos críticos. Foi com ele que o presidente dos Dragões entrou no Tribunal de Gondomar. Afonso sempre o acompanhou às diligências de inquirição na Polícia Judiciária do Porto.
Em todas as sessões de julgamento, Afonso Ribeiro também esteve ao lado de Pinto da Costa. Embora neste processo seja ao mesmo tempo arguido, já que também ele é acusado de ter agredido Carolina, quando o casal se separou.
Relativamente ao incidente de anteontem à porta do tribunal, Afonso Ribeiro foi à Esquadra da PSP do Infante cerca de uma hora depois de ter atropelado o jornalista. Garantiu, então, que não se apercebera que o mesmo tinha caído, nem viu a ordem de paragem dada pelo agente policial. Afonso foi submetido ao teste de álcool que deu negativo.
Refira-se, ainda, que é sobre o motorista que poderão recair mais acusações, caso o processo siga os trâmites legais. Afonso Ribeiro poderá vir a ser acusado de desobediência qualificada, ofensas corporais (o jornalista sofreu uma fractura num dedo) e omissão de auxílio. Nenhum destes crimes prevê pena de prisão.
PSP ASSUME QUE AGENTE MANDOU PARAR
O agente que presenciou o atropelamento do jornalista bateu na carroçaria do carro várias vezes quando viu José Carmo ser abalroado e cair, mas carro não parou. Numa primeira explicação feita à LUSA, fonte do Comando da PSP do Porto referiu que 'não terá havido desobediência do motorista de Pinto da Costa e que o sinal do agente para parar o carro não foi explícito. O condutor resolveu sair de lá com pressa e tocou no fotógrafo'. Já ontem, o gabinete de Relações Públicas (RP) do Comando da PSP do Porto deu ao CM uma explicação diferente cingindo-se ao conteúdo do auto de ocorrência apresentado pelo polícia.
'O agente descreveu os factos que presenciou e mencionou que tentou alertar o condutor e que o mesmo não parou a viatura', disse a responsável do gabinete de RP. O auto confere que, consequentemente, nenhum dos ocupantes do carro prestou auxílio à vítima, factos que incorrem em crimes de atropelamento e fuga e omissão de auxílio. De acordo como os procedimentos da polícia, o auto de ocorrência seguirá para o Ministério Público que tomará decisões, tendo também em conta a queixa da vítima. Não se conhecem palavras de Afonso Ribeiro para explicar a sua atitude. De Pinto da Costa ou da advogada Lourdes Fernandes, que seguiam no carro, também não há reacções. O FC Porto emitiu apenas um comunicado a lamentar a situação e dando conta de que o motorista não viu o jornalista.
PORMENORES
SEGURANÇA NEGADA
Carolina Salgado tinha pedido à PSP segurança pessoal para a deslocação ao julgamento. No Comando da PSP do Porto foram levantadas algumas dúvidas sobre a legitimidade do pedido de Carolina e a mesma segurança não foi fornecida.
REFORÇO NO TRIBUNAL
No Tribunal de S. João Novo, o dispositivo policial foi reforçado por agentes fardados. Dentro da sala de audiência estiveram sempre presentes entre quatro a seis polícias, que, à saída, chegaram mesmo a fazer uma barreira visual entre Carolina Salgado e Pinto da Costa.
SEGUNDA VEZ
O pedido de segurança pessoal alegou outros incidentes anteriores. O motorista Afonso já tinha feito uma manobra intimidatória na mesma rua. No Tribunal de Gaia, Carolina foi agredida por uma mulher, que se assumiu como portista.
APANHADO EM OPERAÇÃO DA PSP
Afonso Ribeiro foi multado por excesso de passageiras no seu BMW Z3, há cerca de um ano, durante uma operação da PSP do Porto. Durante os cerca de 30 minutos em que esteve retido na operação nenhum agente lhe efectuou o teste de alcoolemia. O motorista do presidente do FC Porto conduzia um carro desportivo de luxo, cuja lotação máxima é apenas de dois ocupantes. Afonso viajava com duas mulheres sentadas no lugar de uma. Pagou a multa na hora e arrancou a grande velocidade, irritado com os polícias.
ALTA VELOCIDADE
Afonso Ribeiro conduzia o carro de Pinto da Costa a uma velocidade excessiva ao descer a estreita rua de paralelo, à saída do Tribunal de S. João Novo. Acelerou ao passar por Carolina Salgado, que seguia a pé. Atropelou o jornalista e seguiu viagem.
AGRESSÕES ÀS IRMÃS SALGADO
Carolina e a irmã gémea Ana acusam Afonso de agressão durante uma discussão com Pinto da Costa, na casa na Madalena, em Gaia. Carolina tentava retirar bens da residência após a separação. Afirma que, além de duas bofetadas do ex-companheiro, Afonso a manietou e a empurrou até cair. Ana Salgado estava presente e tentou ajudar a irmã, tendo sido agredida pelo segurança Nuno Santos, com pontapés. Ana estava grávida.
NOTAS
LIVRO: FALA NAS AGRESSÕES
No livro ‘Eu, Carolina’, a ex-companheira de Pinto da Costa descreve ao pormenor os momentos em que Afonso a agrediu, após as bofetadas do presidente do FC Porto
BOFETADA: REABERTO PROCESSO
O caso das bofetadas chegou a ser arquivado, mas Carolina pediu a abertura da instrução, em Março do ano passado. Pinto da Costa acabou por ser acusado das agressões
INCÊNDIOS: CAROLINA ARGUIDA
Além das agressões, neste processo Carolina é também arguida nos incêndios aos escritórios de Pinto da Costa e do advogado Lourenço Pinto, falsas declarações em tribunal e difamação
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