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domingo, 6 de setembro de 2009

Castelo Branco - “Caiu numa cilada e mataram-no” - 6 Setembro 2009

Rapto: Familiares de Antero Nunes sem esperanças de que ele ainda esteja vivo


Quando na tarde do dia 14 de Agosto Antero Pires ligou ao cunhado João Mendes para lhe dizer que não ia dormir a casa e que no dia seguinte telefonava, o familiar achou "muito estranho" mas estava longe de imaginar que tinha sido a última vez que falou com ele. Antero, de 54 anos, nunca mais deu sinais de vida. Terá sido raptado por três homens – ao que tudo indica seus conhecidos –, que lhe roubaram os cartões de crédito com os quais já levantaram 12 mil euros.

Familiares e Polícia Judiciária (PJ) têm fortes suspeitas – 'quase certeza'–, de que ele já esteja morto. Falta encontrar o corpo.

'O meu irmão caiu numa cilada e depois mataram-no. Assassinos, assassinos', grita desesperada Conceição Pires Nunes, irmã e madrinha. Era na casa desta familiar, residente em Maxiais, Castelo Branco, que Antero estava a passar férias antes de desaparecer. 'Estava cá há três semanas e muito feliz. Naquele dia disse que ia almoçar com um amigo, telefonou-me comprometido e com pessoas ao lado. Disse que não vinha cá dormir', conta o cunhado João Mendes, frisando que após três semanas sem dar sinais de vida é 'quase impossível' que ainda esteja vivo. 'Ele não desaparecia de forma voluntária porque tinha muito apreço por toda a família', garante o cunhado que o tratava 'como um filho'.

O desaparecimento está rodeado de grande mistério. Solteiro, sem filhos e 'bem inserido na sociedade', não lhe eram conhecidos inimigos nem envolvimento em situações menos claras. 'Mas isso não quer dizer nada. Hoje há gente capaz de matar por tostões', diz Ana Marques, cunhada, residente em Lisboa mas que está em Maxiais para apoiar os outros familiares.

Tal como o CM noticiou ontem, a PJ já falou com um suspeito que negou qualquer envolvimento no caso. Disse que Antero lhe deu os cartões para gastar à vontade e que depois foi para Espanha sozinho. A família não acredita nesta versão.

PJ JÁ INTERROGOU MUITOS AMIGOS E FEZ BUSCAS

O desaparecimento de Antero Nunes, ex-funcionário no Aeroporto de Lisboa, está a ser investigado pela Unidade Nacional de Contra-Terrorismo da Polícia Judiciária que já interrogou familiares, muitos amigos e efectuou buscas nas casas que ele tem em Lisboa e na zona de Castelo Branco. Não terão encontrado nenhuma prova que justifique uma ausência voluntária. Por isso, o rumo da investigação está direccionado para o rapto. O móbil do crime terá sido o roubo mas algo terá corrido mal.

Quando Antero Nunes telefonou no dia 14 de Agosto ao cunhado João Mendes, o seu telemóvel accionou uma antena de uma localidade do Alto Alentejo. Esta pista levou os investigadores a efectuar buscas naquela região, sobretudo em barragens e rios. Os trabalhos revelaram-se infrutíferos.

VISITAVA A ALDEIA MUITAS VEZES POR ANO

Na aldeia de Maxiais, a poucos quilómetros de Castelo Branco e onde ia muitas vezes por ano, o desaparecimento de Antero Nunes só se soube no início da semana e deixou os habitantes 'muito tristes'. 'Eu vi o irmão muito triste e perguntei-lhe o que se passava. Foi só aí que soube que algo de muito ruim aconteceu ao Antero', afirmou ao CM Constantino Martins, de 66 anos, que 'só tem a dizer bem' do conterrâneo. 'Uma pessoa muito boa e amigo de toda a gente. Para mim terá sido tramado por algum conhecido', sublinhou José Barreto enquanto lia o CM à porta da Associação de Maxiais.

PORMENORES

CALÇÕES E CARRO

Antero Pires Nunes saiu da casa da irmã de calções e ao volante do seu Nissan Note azul, com a matrícula 21-EX-03

DIABETES

Tal como a irmã, Antero sofria de diabetes e andava a ser medicado. Os remédios ficaram todos no seu quarto, tal como toda a roupa e as malas.

REFORMADO

Antero estava reformado há pouco mais de um ano. Apesar de ter casa em Lisboa passava muito tempo em Maxiais.

Para mais informações carregue Aqui.

Fonte : CM

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