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domingo, 20 de setembro de 2009

Cova da Beira- Idoso faleceu no hospital após uma noite “ao abandono”

Cova da Beira: Idoso faleceu no hospital após uma noite “ao abandono”
Família acusa falta de assistência

A família de um emigrante de 67 anos, que morreu no Hospital do Fundão, está descontente com a assistência prestada ao doente, por ter sido transferido do Hospital da Covilhã para o do Fundão "em estado de coma e sem uma equipa médica a acompanhá-lo", passando uma noite "ao abandono, sem soro nem oxigénio". Esta situação terá agravado o seu já débil estado de saúde, pois sofria de diabetes e de cirrose, e tinha um tumor no fígado.

"Tenho uma mágoa muito grande porque o meu pai, que era uma pessoa doente, podia ter sido bem tratado e falecido na mesma, mas ele foi deixado uma noite ao abandono, sem sequer lhe darem um pouco de soro para se alimentar", contou ontem Paulo Lourenço, filho de Manuel Antunes.

O director do Centro Hospitalar Cova da Beira (CHCB), que integra os hospitais da Covilhã e do Fundão, João Casteleiro, entende a "tristeza" da família do doente, mas defende que "nada há a apontar" à assistência prestada.

"O doente estava num estado terminal e fez-se tudo o que era necessário para evitar o seu sofrimento", explicou João Casteleiro, acrescentando que o doente foi observado na Urgência do Hospital da Covilhã "poucos minutos depois de chegar" e encaminhado para os Cuidados Paliativos do Hospital do Fundão por ter "melhores condições". O transporte entre hospitais não teve acompanhamento médico por se tratar de um caso terminal, adiantou o director do CHCB, defendendo que "nem todos os doentes têm de receber soro".

FAMÍLIA DESCARTA PROCESSO

Manuel Antunes Santos era emigrante em França, mas vinha com regularidade a Portugal, residindo na Quinta da Torre, Fundão. Vivia com a mulher e o filho, Paulo Lourenço, que desde há dois anos cuidava da sua saúde. No dia 12, sábado, teve uma crise e foi transportado ao Hospital da Covilhã, onde chegou pelas 18h30. Por volta das 21h00 foi encaminhado para a Unidade de Cuidados Paliativos do Fundão, onde ficou internado até à madrugada de terça-feira, altura em que faleceu. O seu estado de saúde agravara-se nos últimos dois anos, tendo estado várias vezes internado em França. "O meu pai tinha um fígado frágil, mas nunca se queixava de dores", adianta Paulo Lourenço, que decidiu tornar o caso público "para as pessoas saberem o que se passou. Não quero nenhuma indemnização".

Fonte : CM

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