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terça-feira, 8 de setembro de 2009

Setúbal - Viúva de ourives diz que morte foi encomendada - 8 Setembro 2009

Setúbal: Suspeito de homicídio acusa cúmplice foragido de ter disparado sobre José Correia


Em tribunal, Edivaldo Rodrigues atribuiu ontem culpas ao cúmplice, que está foragido no Brasil, por o ourives José Encarnação ter sido executado a tiro. --->

A viúva de José Encarnação Correia, ourives assassinado com dois tiros a 20 de Agosto do ano passado no centro de Setúbal, defendeu ontem em tribunal, na primeira audiência, que o homicídio do marido “foi encomendado” e garantiu ter provas. “Sei de alguém que assistiu à preparação do crime na noite do dia 19.”

“Aquilo que aconteceu na loja não foi assalto nenhum. Havia muita coisa para roubar, até anéis em cima do balcão, e eles saíram sem levar nada”, argumentou Maria Fernanda Correia. Tudo isto com Edivaldo Rodrigues fora da sala, o brasileiro que começou a responder pelos crimes de homicídio, roubo tentado, detenção de arma ilegal e ofensas à integridade física agravadas.

Fernanda Correia garantiu ao colectivo de juízes que uma amiga dos dois brasileiros – o que está a monte irá ser julgado à revelia em processo autónomo – os viu “a repartir cinco mil euros entre si e a irem buscar a arma” escondida no tecto falso da habitação. De acordo com a viúva, a mesma mulher terá ouvido a conversa entre Edivaldo Rodrigues e Danilo Filho (o cúmplice). “O plano era matar, não roubar. E o dinheiro era o pagamento.”

Por esclarecer ficou a identidade do alegado mandante do crime. “O meu marido tinha um grande inimigo”, disse apenas Fernanda Correia. Devido à gravidade das acusações, a mulher, que poderá atestar a veracidade das mesmas, será intimada pelo tribunal para testemunhar na próxima sessão de julgamento, no dia 14.

O CM sabe que a mulher em causa, de nacionalidade brasileira, vai explicar que José Correia terá sido morto devido a uma alegada dívida relacionada com ouro e os dois criminosos teriam sido pagos por um cabo-verdiano referenciado por tráfico de droga, que serviu de intermediário.

Fonte próxima do processo admitiu que as suspeitas levantadas em audiência foram investigadas mas não revelaram consistência.

MÃE DE SUSPEITO EM TRIBUNAL

A mãe de Edivaldo Rodrigues esteve ontem no Tribunal de Setúbal a assistir à primeira sessão de julgamento do filho. Recusou-se a prestar declarações à imprensa, mas, no intervalo para almoço, dirigiu-se a Fernanda Correia. De forma calma e ordeira, as duas mulheres conversaram durante alguns minutos, tendo a progenitora do suspeito de homicídio defendido a sua inocência.

Aliás, também Edivaldo Rodrigues defendeu em tribunal que não foi ele a matar José Correia. O arguido relatou o assalto à ourivesaria Jóias Bocage tal como consta da acusação, mas colocou a arma nas mãos de Danilo Filho, o cúmplice, que se encontra foragido e será julgado num processo autónomo. “Eu só fiquei à porta e assim que disparou o alarme fugi. Foi o Danilo quem deu os tiros”, argumentou.

PROBLEMA TEM SIDO "ATENUADO"

A situação melhorou, mas não está solucionada. Para Baptista Romão, director da PJ do Porto, o problema dos assaltos a ourivesarias está “mais atenuado”, graças às detenções do ano passado, um período “calamitoso”, segundo o mesmo responsável.

“Isto não significa que a situação esteja resolvida. Há grande apetência para meter um gorro, pegar numa pistola e assaltar uma ourivesaria”, clarificou Romão. A PJ alerta para o facto de ser um crime que envolve gente “muito jovem” e pede aos vendedores ambulantes para alterarem rotinas, até porque nos roubos a lojas há “mais possibilidades de prender rapidamente assaltantes”.

30 ASSALTOS DESDE JANEIRO

Mais de 30 ourivesarias foram assaltadas desde o início do ano, segundo a Associação de Ourivesaria e Relojoaria de Portugal, que vai lançar em Novembro um programa de comparticipação de obras nestes estabelecimentos para reforçar a sua segurança.

O projecto ‘Ourivesaria em Segurança’ será lançado em Novembro e prevê apoiar em 45 por cento as obras necessárias para reforçar a segurança nos estabelecimentos, nomeadamente no investimento feito em portas, vidros, cofres e GPS para as viaturas.

Apesar de ainda não ter arrancado, o projecto conta já com a inscrição de cerca de 20 ourivesarias, maioritariamente da Região Norte do País. A razão para esta adesão é a quantidade de assaltos nesta zona. Das 30 ourivesarias assaltadas, 20 são do Norte do País.

PORMENORES

SEM NOMES

Fernanda Correia explicou que só teve conhecimento dos factos quando já tinha sido deduzida acusação e, apesar das insinuações de que haveria alguém por detrás do homicídio do marido, não revelou o nome do mandante do crime.

VISITA À PRISÃO

Há dois meses, Fernanda Correia tomou a iniciativa de ir visitar Edivaldo Rodrigues no Estabelecimento Prisional de Lisboa, onde está em prisão preventiva. O suspeito de homicídio aceitou ver a viúva, mas disse-lhe que tinha sido o cúmplice a disparar.

DOIS TIROS

A autópsia revelou que José Correia foi alvejado com dois tiros na cabeça. De acordo com as perícias, o ourives estava escondido atrás do balcão quando um dos dois suspeitos o executou, disparando de cima para baixo.

Fonte : CM

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